A Simpatia e a Medicina Mágica
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A Simpatia e a Medicina Mágica

A simpatia e a medicina mágica

A simpatia se encontra dentro da medicina mágica, que busca curar o que de estranho foi colocado pelo sobrenatural no doente, ou extirpar o mal que o faz sofrer. Dentro dessa medicina estão também: a benzedura, o toré e o catolicismo brasileiro.

O estudioso Alceu Maynard Araújo, em Medicina Rústica, define a simpatia como práticas, gestos, palavras, transferência, massoterapia e susto, que visam curar, proteger a saúde e fazer a prevenção dos vários males. 

Difere das outras medicinas mágicas porque pode ser realizada por qualquer pessoa e sem o auxílio de um “ oficial especializado”. O aprendizado delas também não depende de uma herança familiar, mas qualquer pessoa pode adquirir os ensinamentos e os passar. 

No Dicionário do Folclore Brasileiro, de Luís da Câmara Cascudo, o verbete simpatia vem definido como em magia, crê-se que o efeito é semelhante à causa que o produziu. Imitá-lo é determinar sua repetição. O dicionário de Domingos Vieira ensina: “ Relação que existe entre dois ou mais órgãos, mais ou menos afastados um do outro, o que faz com que um deles participe das sensações descobertas, ou das ações executadas pelo. “ Câmara Cascudo explica que a palavra simpatia tem sua origem no grego sympátheia, sym e panthos, paixão, sofrimento. 

Em Medicina Mágica: as Simpatias, a escritora Ruth Guimarães afirma que o ritual da simpatia mobiliza as forças e poderes ocultos para satisfazer nossos desejos. Para a autora, a simpatia consiste em um conjunto de atos e palavras preestabelecidas, repetidas sem qualquer alteração, a não ser o nome do interessado. O ritual deve seguir sem restrições e Ruth dá exemplos: “ Na passagem do ano, é bom ter todas as luzes de casa acesas, para que o ano comece bem, trazendo alegria e felicidade; Subir em uma cadeira ou outro móvel alto, dentro de casa traz felicidade; Chupar doze carocinhos de uva branca traz sorte e dinheiro; Chupar três caroços de romã e guardá-los. depois depois de secos, na carteira de dinheiro traz felicidade; Plantar uma muda de dinheiro em-penca e colocar o vaso em um lugar bem alto, dentro ou fora de casa, traz o que o nome da planta diz: dinheiro em penca.”

Para complementar, Luís Câmara Cascudo coloca em seu verbete algumas histórias recolhidas por Waldemar Iglésias Fernandes, em várias cidades do interior de São Paulo e no Sul de Minas Gerais. Uma das histórias é a do Engasgo, em que dizem que, quando uma criança engasga com alguma coisa, é costume bater-lhe nas costas e dizer: “ Homem bom, mulher má, cama de porco, travesseiro de pau.” Dizem que a simpatia é tão boa, que a criança solta o que tem na goela na hora. 

Em geral, pensa-se que a simpatia cura, protege e previne. Ela é um ritual acompanhado de mímica e palavras especiais. As simpatias são empregadas por meio de rezas, gestos, palavras que fazem desaparecer o motivo ou a própria doença. 

As origens da medicina mágica remontam épocas mais antigas da vida do homem sobre a terra. Registros folclóricos sobre o assunto revelam traços curiosos de uma medicina mágica desde a época bíblica, passando pelo Egito, Saara e Idade Média. 

O célebre “ Papiro Ebers” ressalta os poderes de receitas feitas com rezas, ervas e velas. Na Mesopotâmica, entre 3200 a 1025 a.c., os tratamentos médicos eram feitos por procedimentos mágicos em conjunto com o uso de ervas e orações. Nas Honduras britânicas, eram comuns os ritos de defumações, sangrias, flagelações com urtiga e rezas. 

De Norte a Sul do Brasil, seja nas roças, fazem simpatias, encantamentos, banhos e suas mães, avós, tias e se sentem mais seguros usando-as. 

No Brasil, essa medicina rústica ou popular tem como base a época colonial e recebeu influências culturais indígenas, africanas e portuguesas. Recebemos dos negros suas crenças nos orixás, forças da natureza, que sempre tiveram curandeiros. Ossaim é o orixá conhecedor das ervas e seu uso medicinal. Dos índios: Os pajés, nossos xamãs, sempre tiveram contato com a alma dos vegetais e seu uso mágico medicinal. Os portugueses trouxeram suas rezas católicas. 

Assim como os benzimentos, para os estudiosos desse fenômeno, as simpatias popular oriundo do meio rural e que, por meio do deslocamento de grande número de pessoas desses locais para os centros urbanos, intensificaram-se nas cidades, principalmente em meio às classes populares, porém, não se restringe apenas a elas.

A medicina mágica, a qual a simpatia pertence, continua a ser vivificada no meio urbano e não há indícios de que acabará. Ela resiste por conseguir diluir os diversos modos de curar, demonstrando diferentes concepções de mundo, formas de viver, de sentir e de agir. 


A Magia Simpática 

Você já pensou sobre como surgiram as simpatias? Qual mistério que ronda a atração das pessoas pelas simpatias. O fato é que todas as pessoas sabem pelo menos uma simpatia sobre alguma coisa para ensinar.

A simpatia existe desde o surgimento da humanidade, mas ela se tornou mais conhecida durante a Idade Média. Nessa época, ela tinha como objetivo esconder os rituais e feitiços usados dentro da bruxaria. 

As bruxas sempre trabalharam com ritos de sintonia com os ritmos naturais das fases da Lua, mudanças de estações e elementos da natureza. Elas eram as responsáveis pela confecção dos feitiços e simpatias. 

Durante a Idade Média, com a perseguição às bruxas e seus feitiços, as simpatias era as formas de perpetuar a magia dentro da bruxaria sempre foi uma magia simpática, ou seja as bruxas observam a natureza e, por meio dela, criavam rituais que pudessem atrair os seus desejos. Percebemos esse processo nos rituais de dança da chuva praticada por várias sociedades indígenas. 

Com o passar do tempo, a magia simpática foi sendo reduzida até chegar na atualidade como simplesmente simpatia.

Hoje em dia, a coisa mais comum é as pessoas passarem esses ritos e rituais sagrados de muitos e muitos anos com apenas o conceito de simpatia. 

Conhecendo agora a sua origem, sua história, passamos ao próximo passo para que você mergulhe nos encantamentos mágicos e divinos do mundo das simpatias, magias, ritos e rituais. 

Para a prática de uma simpatia, é preciso observar os elementos da natureza, como a mãe natureza é formada, como ela trabalha, entre outros pontos. Por meio de pesquisas e observações, podemos perceber que a natureza é composta por 4 elementos básicos, com base na cultura grego romana. 

Temos na natureza: a água, o fogo, o ar e a terra. Cada um desses elementos cuida de um assunto em seus caminhos e cotidiano. 

O contato com os 4 elementos deve ser feito sempre com muito carinho, respeito, disciplina e prudência. Nas simpatias, lembre-se: respeite e concentre-se para que possa ocorrer a transmutação de seus pedidos. Você deve fazer pedidos específicos quando realmente sentir necessidade. Trabalhando dentro da natureza para aquilo que é positivo, sempre receberemos em troca amor, saúde e felicidade. Lembre-se também de agradecer, mesmo antes de receber. 

Importante: Antes de fazer qualquer simpatia ou magia, esteja certo de que o ambiente esteja limpo. Para conseguir isso, defume a casa e tome um banho de purificação de hortelã com alecrim. 

Isso aconteceu porque mulheres como as benzedeiras, feiticeiras ou bruxas dominavam o dom da cura e assim, competiam com a igreja católica. Para inibir essa concorrência a igreja criou essa versão de que benzedeiras, bruxas e feiticeiras eram perigosas e tinha pacto com os demônios. As feiticeiras chegaram até por meio da tradição oral, seja nas histórias infantis ou nas palavras acusatórias dos inquisidores.

Segundo Mircea Eliade, a personagem feiticeira possui essencialmente a função instauradora do mito. Ela é, sem sombra de dúvida, mulher, dotada de um corpo jovem, sexuado, feito para o poder da maternidade. Seu poder é total, preside a vida e a morte, vela pelas colheitas. Nos textos, ela aparece com dois papéis: o feminino e o da Deusa Mãe. 


Bruxa

   É um termo que vem do grego antigo brouchos, que significa desabrochar. A ideia pejorativa sobre bruxas e bruxarias surgiu na Idade da Trevas, quando o clero estava lentamente crescendo em força, e a bruxaria se mostrou como uma rival. 

Nesse período, não só a filosofia, mas também a ciência, pois qualquer pessoa que questionasse os métodos ou os modos que as ações eram executadas, eram consideradas ameaçadas pelo clero.

Para construir uma imagem negativa sobre as bruxas, criou-se sobre elas um arquétipo negativo e de medo. O arquétipo construído foi o de uma mulher com um nariz enorme, corcunda monstruosa e uma roupa preta com sapatos de fivela totalmente foda de moda. Esse marketing da bruxa durou até 1951 na antiga União Soviética, onde até essa data podia-se queimar uma pessoa com a acusação de bruxaria. Por isso, ainda hoje, temos muitos preconceitos a respeito dessa palavra.

Beijos de Luz no Coração de cada um de vocês e Muita Paz !

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